Reforma Tributária: o desafio agora também está nos sistemas das empresas

A implementação da Reforma Tributária do consumo entrou em uma nova etapa. Se inicialmente as discussões estavam concentradas nos impactos jurídicos e tributários, em 2026 outro desafio ganhou protagonismo: a adaptação tecnológica das empresas.
A criação do IBS e da CBS, regulamentados pela Lei Complementar nº 214/2025, não representa apenas a substituição de tributos. O novo modelo exige mudanças relevantes nos sistemas fiscais, contábeis e de gestão das organizações.
2026 marca o início da transição operacional
O ano de 2026 inaugura a fase de testes do novo sistema, com alíquotas de 0,1% para o IBS e 0,9% para a CBS, dentro da transição que se estenderá até 2033.
O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026 estabeleceu o cronograma de implementação dos documentos fiscais eletrônicos adaptados à Reforma Tributária.
Desde 3 de agosto de 2026, diversos documentos, como NF-e, NFC-e, CT-e e MDF-e, passaram a integrar essa etapa. Para os optantes do Simples Nacional, a obrigatoriedade está prevista para 1º de janeiro de 2027.
A Reforma, portanto, já precisa estar incorporada aos projetos de tecnologia das empresas.
Não basta incluir IBS e CBS no ERP
A adequação tecnológica vai muito além da criação de dois novos campos ou da alteração de alíquotas.
ERPs, softwares fiscais e plataformas de faturamento precisam incorporar novas regras de cálculo, tratamentos tributários, documentos fiscais e mecanismos de apropriação e controle de créditos.
Também será necessário revisar cadastros de produtos e serviços, classificações fiscais e integrações entre sistemas.
E há uma dificuldade adicional: durante a transição, as empresas precisarão administrar simultaneamente elementos do sistema tributário atual e do novo modelo.
Parametrização passa a ser questão estratégica
No novo ambiente tributário, a qualidade dos dados ganha ainda mais importância.
Um cadastro incorreto ou uma regra mal parametrizada pode resultar em cálculo inadequado do tributo, emissão incorreta do documento fiscal e problemas na apropriação de créditos.
E os efeitos podem ultrapassar a própria empresa.
Em um sistema baseado na não cumulatividade, erros cometidos pelo fornecedor podem repercutir diretamente na posição tributária de seus clientes.
Por isso, cadastro, parametrização e qualidade da informação passam a integrar a gestão do risco tributário.
Tributário e TI precisam trabalhar juntos
Outro desafio é adaptar os sistemas enquanto normas, leiautes e procedimentos operacionais continuam sendo regulamentados e aperfeiçoados.
Isso exige integração permanente entre as áreas tributária, fiscal, contábil, financeira e de tecnologia.
Não é mais suficiente que o profissional tributário conheça a legislação e que a equipe de TI conheça o sistema. A regra jurídica precisa ser corretamente traduzida para a operação tecnológica da empresa.
Esperar pode sair caro
A existência de questões ainda em regulamentação não deve ser motivo para adiar a preparação.
As empresas precisam aproveitar a transição para revisar cadastros, mapear operações, testar sistemas, acompanhar seus fornecedores de ERP e identificar inconsistências antes que elas produzam impactos financeiros e fiscais relevantes.
A pergunta deixou de ser apenas “o que a Reforma Tributária vai mudar?”
Agora, as empresas também precisam perguntar:
“Nossos sistemas estão preparados para operar essa mudança?”
A Reforma Tributária não será implementada apenas pelos departamentos jurídicos e fiscais. Ela será implementada, em grande medida, dentro dos sistemas que sustentam as operações das empresas.
E você, o que pensa a respeito desse tema? Deixe sua opinião nos comentários.



